
O comércio de escravos africanos, organizado por europeus, com o apoio e cumplicidade da Igreja Católica, durou quatro séculos, de 1444 a 1839. No entanto, ao longo dos anos, cresceu o sentimento no seio da hierarquia da Igreja Católica de que a escravatura e outros abusos apoiados por ela eram contrários a dignidade humana. Em 1839, o Papa Gregório XVI emitiu a bula In Supremo Apostolatus, condenando a escravatura dos africanos. Em 1992, o Papa João Paulo II pediu oficialmente desculpas pelo papel da Igreja Católica e do Vaticano na escravatura bem como no comércio de escravos. E em Março de 2023, o Vaticano, sob o Papa Francisco, repudiou formalmente as “bulas papais do século XV” que legitimavam a tomada forçada de “territórios não cristianizados”, conduzindo os seus povos à escravatura. Mesmo depois de seguir este caminho, para os críticos, a mea culpa da Igreja Católica não só chegou tarde demais, como se esperava que ela tivesse feito muito mais para mitigar a sua cumplicidade na escravatura e outras práticas contrárias à dignidade humana e incompatíveis com a justiça cristã.
Quanto ao movimento da FRELIMO e ao seu Partido, a Frelimo, inúmeros excessos e desmandos foram cometidos pela sua liderança. No entanto, estes nunca reconheceram que alguma vez cometeram erros. Muito pelo contrário, escrevem e interpretam a história duma forma enganosa, esquecendo que é conhecendo e aprendendo com os erros do passado que os povos evitam recorrências da violência. Os desmandos e excessos cometidos pela FRELIMO e o seu partido bem como a recusa em reconhecé-los são a principal razão da contínua recorrência da violência em Moçambique e do contínuo sofrimento do povo moçambicano. As gerações presentes e futuras devem conhecer e compreender as dolorosas fases da nossa história para evitar que os erros e abusos do passado se repitam no futuro. Enquanto tais erros e abusos não forem devidamente reconhecidos e enquanto a necessidade de uma reconciliação genuína e inclusiva não for respeitada, não poderá haver paz verdadeira e duradoura em Moçambique.
In “O Seminário Católico de Zóbuè: Entre a Cruz e o Fuzil”
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