EM BUSCA DA VERDADE: O VERDADEIRO PASSADO É MANTIDO ESCONDIDO PORQUE É VERGONHOSO [8]

“Nós temos que acabar com essa história de contar mentiras sobre as pessoas para depois destruir essas pessoas”.

 Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil

Os livros – “Mateus  Pinho Gwenjere:A Revolutionary Priest”,  “Mateus Pinho Gwenjere: Um Padre Revolucionário” e “O Seminário Católico de Zóbuè: Entre a Cruz e o Fuzil” – enriqueceram  significativamente o contexto da actuação da Igreja Católica em Moçambique, bem como das tensões  internas no seio do movimento da FRELIMO durante a luta armada de libertação nacional e logo depois. Com a publicação destas obras, a História de Moçambique é hoje vista  num prisma totalmente diferente daquele que era conhecido no passado, demonstrando claramente que o passado merece ser revisitado para uma mais correcta interpretação dos acontecimentos.

O último livro, “O Seminário Católico de Zóbuè:Entre a Cruz e o Fuzil”, retrata a história da formação para o sacerdócio de jovens africanos da Região Centro de Moçambique – actuais províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia – no Seminário Católico de Zóbuè, na Província de Tete. Abordando a questão do estabelecimento do Catolicismo em Moçambique, o livro revela como o governo colonial português instrumentalizou a Igreja Católica para servir os seus interesses. Abraçar a fé cristã católica em Moçambique significava abraçar a cultura e a civilização portuguesas. Meio século depois da independência de Moçambique, a Igreja Católica persiste em misturar a fé católica com a propagação da cultura e da civilização portuguesa: nas igrejas católicas moçambicanas, os fiéis continuam a venerar estátuas da Virgem Maria branca e de Jesus Cristo branco, embora seja amplamente sabido que Jesus Cristo e a sua mãe não eram brancos.

Mais de metade da obra é autobiográfica, escrita na primeira pessoa, conferindo credibilidade a muitos dos acontencimentos narrados: entre 1962 e 1967, mais de uma centena de seminaristas de Zóbuè abandonaram o sacerdócio para se juntarem ao movimento de libertação de Moçambique, a FRELIMO. O livro revela que a liderança deste movimento antagonizou estes jovens, tendo subsequentemente morto mais de uma dezena deles. O livro aborda ainda um período turbulento na história do movimento e do seu partido, Frelimo, que culminou na prisão e execução, sem direito a defesa, de centenas de nacionalistas moçambicanos, bem como no envio de milhares de outros moçambicanos para os “Campos da Morte” – os chamados “Centros de Reeducação”.

A solidariedade inicial do povo moçambicano para com a FRELIMO, o seu partido e os líderes nacionalistas está quebrada: Além dos “Campos da Morte”, seguiram-se muitos outros problemas: má governação, guerras fratricidas, corrupção endémica e desvio de fundos públicos, culminando nas chamadas dívidas ocultas. Note-se que nem um cêntimo desta dívida beneficiou o povo moçambicano. Hoje, Moçambique encontra-se numa encruzilhada. O que quer o povo moçambicano? O povo quer que os seus líderes tenham a honestidade necessária para reconhecer os seus erros, bem como um comprometimento de trilhar novo caminho – o caminho certo que responda aos seus problemas. Os últimos três capítulos do livro contêm recomendações sobre o caminho a seguir.

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𝐎 𝐒𝐞𝐦𝐢𝐧á𝐫𝐢𝐨 𝐂𝐚𝐭ó𝐥𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐙ó𝐛𝐮è: 𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐚 𝐂𝐫𝐮𝐳 𝐞 𝐨 𝐅𝐮𝐳𝐢𝐥
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