EM BUSCA DA VERDADE: PADRE MATEUS PINHO GWENJERE – ÍCONE DA LUTA PELA LIBERDADE, JUSTIÇA E UNIDADE DO POVO MOÇAMBIQUE [6]

“Estou pronto para defender a causa do povo negro até ao último suspiro” (Pe. Gwenjere in Arquivos da PIDE – Janeiro 1967)

Extraído em : jornal.moz.notcia – Conheça Mateus Pinho Gwendjere: primeiro padre negro da arquidiocese da Beira e combatente da luta de libertação. https://vm.tiktok.com/ZS9dtERJ5924e-aSkMP/

Após vários anos de actividade política clandestina em Moçambique, em Julho de 1967, o Padre Mateus Pinho Gwenjere fugiu de Moçambique para o Malawi, onde se juntou ao movimento de libertação da FRELIMO. Em Novembro de 1967, o Presidente Eduardo Mondlane enviou-o a Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, para testemunhar contra o regime colonial português na Quarta Comissão das Nações Unidas. O seu discurso, que se concentrou na situação religiosa e política em Moçambique, denunciou a Igreja Católica “Salazarista” e as injustiças e a opressão do regime colonial português. O discurso não só incomodou o regime colonial português, como influenciou, em grande medida, as futuras decisões da ONU sobre o colonialismo português.

O Padre, que tinha grandes expectativas em relação ao movimento de libertação da FRELIMO, foi confrontado com a realidade logo após a sua chegada à Tanzânia. Este movimento encontrava-se em tumulto após o assassinato do Secretário de Defesa e Segurança da FRELIMO Filipe Samuel Magaia. Os problemas que surgiram após o seu assassinato, levaram o Padre a questionar algumas políticas da liderança da FRELIMO, incluindo os maus-tratos e as execuções sumárias de combatentes; a priorização da política de “guerra prolongada”; a concentração do poder político-militar e de segurança em torno do grupo dos “Sulistas”; a nomeação de moçambicanos brancos de origem portuguesa como professores do Instituto Moçambicano; e a falta de convocação de um congresso para resolver problemas internos.

Durante um ano e meio que militou na FRELIMO em Tanzânia, o Padre Mateus Gwenjere forçou reformas jamais vistas naquele movimento. Obrigou a FRELIMO a realizar o Segundo Congresso e reformas em tudo o que questionava. Desprovido de ambição pelo poder político, o Padre trabalhava incansavelmente para a sua única e principal preocupação: a libertação do povo moçambicano do jugo colonial português.

Por exigir a realização do Segundo Congresso e de tais reformas, em pouco tempo colidiu com a liderança do movimento da FRELIMO. No início de 1973, quando percebeu que a liderança de Samora-Marcelino dos Santos queria eliminá-lo fisicamente, o Padre Gwenjere deixou Tabora para o Quênia. Foi enquanto vivia no exílio no Quênia que o Padre foi raptado em 10 de Outubro de 1975 pelos agentes do governo da FRELIMO e cruelmente assassinado. Os seus restos mortais nunca foram encontrados.

O Padre Mateus Pinho Gwenjere dedicou toda a sua vida à luta pela liberdade, justiça e unidade do povo moçambicano. A verdade sobre este Padre foi amplamente reposta e ela prevalecerá.  Será recordado nos anais da História de Moçambique como um grande herói e um mártir revolucionário. Ele jamais será apagado da memória do povo moçambicano a quem dedicou a sua vida.

Padre Mateus Gwenjere no Quênia informando um funcionário da ONU, William Sach, sobre a situação conturbada do movimento FRELIMO. Fonte: Lawe Laweki

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