Na sua entrevista à série documental “A Guerra Colonial Portuguesa”, da autoria de Joaquim Furtado” na RTP em 2007, o Dr. Hélder Martins disse que tinha provas da Torre do Tombo (lugar onde estao arquivados documentos da PIDE-DGS) de que o Padre foi “agente da PIDE”. Ele não apresenta tais provas.
“Com os elementos que eu colhi na Torre do Tombo, eu hoje afirmo categoricamente que o Padre Mateus Gwenjere é um agente da PIDE. Eu, no meu livro, digo que se suspeitava que ele fosse. Eu, hoje, afirmo, categoricamente, que ele é.”
Na STV Noite Informativa do dia 27 de Julho de 2022, o Dr. Hélder Martins, mais uma vez, acusou o Padre de ser agente da PIDE. Acusou-o, igualmente, de ser “suspeito na morte do Presidente Eduardo Mondlane”; de ser responsável pela crise de 1968 no Instituto Moçambicano em Dar-es-Salaam, Tanzânia, e de ser racista, tribalista e regionalista. Note-se que nesta entrevista o Dr. Hélder Martins já não fala das provas que obteve na Torre do Tombo.
“Eu quando escrevi o meu livro de memórias, […] ainda não tinha acesso a certos documentos que eu tive posteriormente. Hoje se prova que o Padre Mateus Gwenjere era um agente da PIDE. Os portugueses chegaram a preparar uma operação da sua marinha para ir resgatá-lo em Dar es Salaam quando ele foi considerado suspeito na morte do Presidente Mondlane. Só que os portugueses eram tão burocráticos, demoraram tanto tempo, que ele acabou fugindo para o Quénia.”
Na entrevista ao programa “50 ANOS – UM PAIS” em 2025, o Dr. Helder Martins esquiva-se à pergunta do jornalista Boaventura Mandlate e decide imediatamente acusar o Padre Gwenjere de ser agente da PIDE. Desta vez, diz ter obtido provas de um amigo próximo da “Marinha Portuguesa”.
“Entretanto, tivemos em 1967 infiltração por um agente da PIDE, o Padre Mateus Gwenjere […]. Durante o interrogatório, o Padre chegou com medo. Ele percebeu que havia muitas suspeitas sobre o envolvimento dele (na morte do Presidente Mondlane) […]. Ele pede aos portugueses de o virem resgatar […]. A única possibilidade era o resgate ser feito pela Marinha […]. Eu tive um amigo, um comandante da Marinha, foi um revolucionário de 25 de Abril, que me forneceu esses documentos do arquivo secreto da Marinha. Houve um orçamento de 900 contos para realizar a operação. Entretanto, a operação não foi realizada porque o Padre conseguiu fugir para o Quénia.
Em entrevista ao jornal Savana, em 20 de Fevereiro de 2026, o Dr. Martins acusou novamente o Padre de ser um agente da PIDE, afirmando que ao perceber que a Marinha Portuguesa não ia resgatá-lo, ele decidiu fugir para o Quénia. O Dr. Martins nunca mais falou das provas da Torre do Tombo.
AS ALEGAÇÕES DO DR. MARTINS SOBRE O RESGATE DO PADRE PELA MARINHA PORTUGUESA CAEM POR TERRA PELA SIMPLES RAZÃO DE QUE O PADRE NÃO RESIDIA EM DAR-ES-SALAAM ONDE DISSE QUE O PADRE SERIA RESGATADO PELA MARINHA PORTUGUESA
Ao fornecer informação sobre a história da FRELIMO durante a luta armada de libertação de Moçambique, este autor espera que os moçambicanos terão uma melhor compreensão desta história. Pois, é conhecendo e aprendendo com a história do passado que os povos evitam recorrências da violência.
O Padre Mateus Gwenjere residia na região de Tabora, no centro-oeste da Tanzânia, mais de 1.000 km de Dar-es-Salaam, onde o Presidente Mondlane foi assassinado. Não é igualmente verdade dizer que o Padre fugiu para o Quénia após a morte do Presidente Mondlane. O Padre deixou Dodoma rumo a Nairobi, Quénia, quatro anos após a morte do Presidente Mondlane, quando a liderança de Samora-Marcelino dos Santos “influenciou” a Polícia de Tabora para raptá-lo e assassiná-lo, conforme evidenciado pela informação da DGS datada de 3 de Abril de 1973 (NO.363-CI(2) 4/11/73):
“O Padre Mateus Pinho Guengere, com receio da FRELIMO que corrompeu a Policia de Tabora para o raptar e assassinar, fugiu de Tabora para Nairobi em data que nao foi possivel determinar”.
O Dr. Hélder Martins acusa o Padre Gwenjere de ser agente da PIDE, mas ao mesmo tempo afirma que este Padre mobilizou e recrutou muitos jovens moçambicanos para o movimento da FRELIMO. Será que nao sabe que, como agente da PIDE e mesmo que não o fosse, estava proibido de recrutar e enviar moçambicanos para ingressar no movimento “terrorista” da FRELIMO?
O Dr. Hélder Martins acusa o Padre Gwenjere de ser o responsável pela revolta estudantil no Instituto Moçambicano em Dar-es-Salaam, uma revolta que, conforme o Presidente Eduardo Mondlane admitiu, começou quando o Comité Central da FRELIMO introduziu novos e radicais regulamentos estudantis em Outubro de 1966, um ano antes da chegada deste Padre na Tanzânia. Dirigindo-se à Comissão do Instituto Moçambicano sobre “As Causas das Dificuldades no Instituto”, o Presidente Mondlane disse que as “dificuldades no Instituto Moçambicano resultam da direcção firme e definida que o programa educacional [da FRELIMO] tem seguido desde o final de 1966”.
Durante o seu discurso, o Presidente Mondlane não acusou o Padre Gwenjere de ser racista ou de ser um agente da PIDE. Em vez disso, descreveu-o respeitosamente, como “um homem honesto” e “um religioso dedicado” que, segundo ele, trabalhou “incansavelmente” para a FRELIMO, mobilizando e enviando muitos jovens para a Tanzânia para se juntarem ao movimento da FRELIMO. O discurso do Presidente Mondlane vem anexado no final do livro deste autor: “Mateus Pinho Gwenjere-Um Padre Revolucionario”.
As acusações de que o Padre Gwenjere era um agente da PIDE e um racista começaram a surgir com a nova direcção da FRELIMO liderada por Samora-Marcelino dos Santos. Esta direcção da FRELIMO rotulou o Padre Gwenjere de racista e agente da PIDE, devido ao seu envolvimento directo na expulsão da Tanzânia de moçambicanos brancos de origem portuguesa. Conforme o próprio Dr. Hélder Martins admitiu, havia brancos de diferentes países e nacionalidades no Instituto Moçambicano. O Padre pediu ao Governo da Tanzânia que expulsasse apenas moçambicanos brancos de origem portuguesa. É portanto falso dizer que estava contra os brancos que ensinavam no Instituto Moçambicano.
https://www.youtube.com/watch?v=bKDPdRMxgAE&t=996s
A velhice não traz necessariamente sabedoria. Se o Dr. Martins quiser ser respeitado, ele precisa ser honesto e consistente nas suas declarações. Foi com base em mentiras como estas, fabricadas pelo Dr. Hélder Martins e companhia, que foram mortos os melhores filhos deste país.
In “𝐌𝐚𝐭𝐞𝐮𝐬 𝐏𝐢𝐧𝐡𝐨 𝐆𝐰𝐞𝐧𝐣𝐞𝐫𝐞: 𝐔𝐦 𝐏𝐚𝐝𝐫𝐞 𝐑𝐞𝐯𝐨𝐥𝐮𝐜𝐢𝐨𝐧á𝐫𝐢𝐨, 𝟐ª 𝐄𝐝𝐢çã𝐨 𝐀𝐧𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐮𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚çã𝐨: 2021”
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𝟏. 𝐌𝐚𝐭𝐞𝐮𝐬 𝐏𝐢𝐧𝐡𝐨 𝐆𝐰𝐞𝐧𝐣𝐞𝐫𝐞 : 𝐀 𝐑𝐞𝐯𝐨𝐥𝐮𝐭𝐢𝐨𝐧𝐚𝐫𝐲 𝐏𝐫𝐢𝐞𝐬𝐭
𝐀𝐧𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐮𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚çã𝐨: 2019
𝐄𝐝𝐢𝐭𝐨𝐫𝐚: Reach Publishers
𝐍ú𝐦𝐞𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐏á𝐠𝐢𝐧𝐚𝐬: 338
𝐏𝐫𝐞ç𝐨: 1 600 MTS
𝐃𝐢𝐬𝐩𝐨𝐧í𝐯𝐞𝐥: Livraria Mabuko, Maputo e Amazon

𝟐. 𝐌𝐚𝐭𝐞𝐮𝐬 𝐏𝐢𝐧𝐡𝐨 𝐆𝐰𝐞𝐧𝐣𝐞𝐫𝐞: 𝐔𝐦 𝐏𝐚𝐝𝐫𝐞 𝐑𝐞𝐯𝐨𝐥𝐮𝐜𝐢𝐨𝐧á𝐫𝐢𝐨, 𝟐ª 𝐄𝐝𝐢çã𝐨
𝐀𝐧𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐮𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚çã𝐨: 2021
𝐄𝐝𝐢𝐭𝐨𝐫𝐚: Produção Independente
𝐍ú𝐦𝐞𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐏á𝐠𝐢𝐧𝐚𝐬:575
𝐏𝐫𝐞ç𝐨: 1 600 MTS
𝐃𝐢𝐬𝐩𝐨𝐧í𝐯𝐞𝐥: Livraria Mabuko, Livraria Escolar Editora, Livraria Paulinas, Maputo e Livraria Fundza, Beira

𝟑. 𝐎 𝐒𝐞𝐦𝐢𝐧á𝐫𝐢𝐨 𝐂𝐚𝐭ó𝐥𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐙ó𝐛𝐮è: 𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐚 𝐂𝐫𝐮𝐳 𝐞 𝐨 𝐅𝐮𝐳𝐢𝐥
𝐀𝐧𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐮𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚çã𝐨: 2024
𝐄𝐝𝐢𝐭𝐨𝐫𝐚: Produção Independente
𝐍ú𝐦𝐞𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐏á𝐠𝐢𝐧𝐚𝐬: 334
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𝐃𝐢𝐬𝐩𝐨𝐧í𝐯𝐞𝐥: Livraria Mabuko, Livraria Escolar Editora, Livraria Paulinas, Maputo e Livraria Fundza, Beira
