A primeira edição do livro “Mateus Pinho Gwenjere – Um Padre Revolucionário” foi lançada em Maputo em 29 de Agosto de 2019. Tendo conhecido o Padre Gwenjere desde a sua ordenação em 1964, e contando-se entre os moçambicanos que testemunharam acontecimentos importantes na história do movimento da FRELIMO, este autor tomou a iniciativa de contar a sua história e os acontecimentos ocorridos no seio do movimento.
Durante a luta armada do povo moçambicano pela independência nacional, os combatentes da luta de libertação nacional desperdiçaram muitas energias lutando entre si. Um ano após a independência, Moçambique viveu uma longa e sangrenta guerra fratricida que durou 16 anos e trouxe um sofrimento incalculável ao povo moçambicano. Decorrido meio século após a independência, Moçambique permanece em guerra. As verdadeiras causas desses conflitos precisam ser conhecidas publicamente para evitar que se repitam e, assim, permitir que o povo moçambicano viva verdadeiramente em paz.
Tantas foram as energias dedicadas a neutralizar o Padre Mateus Gwenjere que a sua verdadeira identidade permanece desconhecida. Cada vez que o seu nome é mencionado, é sempre no contexto das acusações do governo da Frelimo de que ele foi responsável pela morte do Presidente Eduardo Mondlane e pela crise de 1968 no Instituto Moçambicano em Dar es Salaam, Tanzânia. Da mesma forma, é acusado de ser “anti-branco” e agente da PIDE (Polícia de Defesa do Estado Português). Nenhuma dessas acusações é verdadeira.
Padre Gwenjere, que tinha grandes expectativas em relação à FRELIMO, juntou-se ao movimento numa altura crítica. Este movimento estava em crise após o assassinato de Filipe Samuel Magaia, Secretário de Defesa e Segurança da FRELIMO. Os problemas que surgiram no rescaldo do assassinato de Magaia, levaram o Padre a questionar algumas políticas da direcção da FRELIMO, incluindo os maus-tratos e as execuções sumárias de combatentes da luta de libertação nacional; a concentração do poder político, militar e de segurança em torno do Grupo de “Sulistas”; a nomeação de moçambicanos brancos, de origem portuguesa, como professores do Instituto Moçambicano; e a falha em convocar um congresso para resolver os problemas existentes. Refira-se que o Segundo Congresso da FRELIMO, que segundo os estatutos estava previsto para 1965, só se realizou em Julho de 1968, após uma intensa campanha para a sua concretização, liderada pelo Padre Gwenjere.
A postura ousada do Padre Gwenjere grangeou-lhe estima, respeito, admiração e apoio de diversos sectores, incluindo dos estudantes do Instituto Moçambicano, do Governo da Tanzânia e da imprensa local e estrangeira. Devido à sua audácia, pouco depois da independência de Moçambique, foi sequestrado no Quénia, onde vivia exilado, e assassinado pelo governo da Frelimo
O governo da Frelimo também sequestrou e assassinou outros líderes nacionalistas, incluindo o Reverendo Uria Simango, Paulo Gumane, Adelino Gwambe, Raul Casal Ribeiro e muitos outros – simplesmente por terem opiniões diferentes sobre o melhor caminho a seguir para a Revolução Moçambicana. A falta do governo da Frelimo em reconciliar-se com esses líderes nacionalistas levou posteriormente o país a uma guerra fratricida, pouco depois da independência de Moçambique, que durou 16 anos.
Para que o povo moçambicano possa viver verdadeiramente em paz, este autor apela para o sarar de feridas e para uma reconciliação nacional genuína e inclusiva no seio da família moçambicana. Este processo de paz para uma reconciliação nacional, verdadeiramente genuína e inclusiva, começa, no mínimo, com um reconhecimento, por parte do governo da Frelimo, de que os líderes nacionalistas mortos foram combatentes genuínos da luta armada de libertação nacional, devendo merecer, não o vilipêndio, mas sim, o respeito e o amor do povo moçambicano. Só dessa forma, a Revolução Moçambicana, para a qual todos esses líderes nacionalistas lutaram até ao seu último suspiro, fará sentido e será motivo de orgulho para as gerações presentes e vindouras – para toda a Nação Moçambicana.
Um processo de paz para uma reconciliação nacional, verdadeiramente genuína e inclusiva, também exige que o governo da Frelimo revele onde estes líderes nacionalistas foram enterrados, para que possam receber um enterro condigno dos seus familiares, o que irá certamente apaziguar as suas almas, permitindo-lhes um verdadeiro descanso em paz. Enquanto a necessidade de procurar sarar as “feridas não cicatrizadas do passado” e de enveredar por uma reconciliação nacional, verdadeiramente genuína e inclusiva, não for devidamente reconhecida e respeitada, não haverá paz verdadeira e duradoura em Moçambique.
In “Mateus Pinho Gwenjere – Um Padre Revolucionário” lançado em Maputo em 29 de Agosto de 2019.


𝟏. 𝐌𝐚𝐭𝐞𝐮𝐬 𝐏𝐢𝐧𝐡𝐨 𝐆𝐰𝐞𝐧𝐣𝐞𝐫𝐞 : 𝐀 𝐑𝐞𝐯𝐨𝐥𝐮𝐭𝐢𝐨𝐧𝐚𝐫𝐲 𝐏𝐫𝐢𝐞𝐬𝐭
𝐀𝐧𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐮𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚çã𝐨: 2019
𝐄𝐝𝐢𝐭𝐨𝐫𝐚: Reach Publishers
𝐍ú𝐦𝐞𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐏á𝐠𝐢𝐧𝐚𝐬: 338
𝐏𝐫𝐞ç𝐨: 1 600 MTS
𝐃𝐢𝐬𝐩𝐨𝐧í𝐯𝐞𝐥: Livraria Mabuko, Maputo e Amazon

𝟐. 𝐌𝐚𝐭𝐞𝐮𝐬 𝐏𝐢𝐧𝐡𝐨 𝐆𝐰𝐞𝐧𝐣𝐞𝐫𝐞: 𝐔𝐦 𝐏𝐚𝐝𝐫𝐞 𝐑𝐞𝐯𝐨𝐥𝐮𝐜𝐢𝐨𝐧á𝐫𝐢𝐨, 𝟐ª 𝐄𝐝𝐢çã𝐨
𝐀𝐧𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐮𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚çã𝐨: 2021
𝐄𝐝𝐢𝐭𝐨𝐫𝐚: Produção Independente
𝐍ú𝐦𝐞𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐏á𝐠𝐢𝐧𝐚𝐬:575
𝐏𝐫𝐞ç𝐨: 1 600 MTS
𝐃𝐢𝐬𝐩𝐨𝐧í𝐯𝐞𝐥: Livraria Mabuko, Livraria Escolar Editora, Livraria Paulinas, Maputo e Livraria Fundza, Beira

𝟑. 𝐎 𝐒𝐞𝐦𝐢𝐧á𝐫𝐢𝐨 𝐂𝐚𝐭ó𝐥𝐢𝐜𝐨 𝐝𝐞 𝐙ó𝐛𝐮è: 𝐄𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐚 𝐂𝐫𝐮𝐳 𝐞 𝐨 𝐅𝐮𝐳𝐢𝐥
𝐀𝐧𝐨 𝐝𝐞 𝐏𝐮𝐛𝐥𝐢𝐜𝐚çã𝐨: 2024
𝐄𝐝𝐢𝐭𝐨𝐫𝐚: Produção Independente
𝐍ú𝐦𝐞𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐏á𝐠𝐢𝐧𝐚𝐬: 334
𝐏𝐫𝐞ç𝐨: 1 400 MTS
𝐃𝐢𝐬𝐩𝐨𝐧í𝐯𝐞𝐥: Livraria Mabuko, Livraria Escolar Editora, Livraria Paulinas, Maputo e Livraria Fundza, Beira
